Saúde

Espondilite anquilosante é considerada doença grave

Espondilite anquilosante

A saúde da coluna vertebral e das articulações é fundamental para a manutenção da nossa autonomia e qualidade de vida. No entanto, algumas condições inflamatórias podem comprometer seriamente essa liberdade de movimento.

A espondilite anquilosante é uma dessas condições. Frequentemente confundida com dores nas costas comuns, ela é uma doença autoimune que ataca as articulações da coluna e as sacroilíacas, localizadas na bacia.

Muitas pessoas convivem com os sintomas por anos antes de receberem o diagnóstico correto. Essa demora pode resultar em danos irreversíveis e na perda progressiva da flexibilidade.

Neste artigo, vamos detalhar por que essa condição é monitorada de perto pela medicina e quais são as implicações legais e de saúde que a tornam uma prioridade no sistema de saúde.

Por que a espondilite anquilosante é considerada doença grave e crônica?

Para entender a seriedade do diagnóstico, é preciso compreender o que é espondilite e como ela atua no sistema imunológico. Trata-se de uma inflamação que ataca os tecidos onde os tendões se ligam aos ossos.

Diferente de uma dor muscular passageira, essa inflamação é crônica. Sem o tratamento adequado, o corpo tenta se curar produzindo osso novo, o que leva à fusão das vértebras, processo chamado de anquilose.

Essa fusão transforma a coluna, que deveria ser flexível, em uma estrutura rígida. Por esse potencial incapacitante, a espondilite anquilosante integra a lista de doenças graves em diversos protocolos médicos e jurídicos.

Além do impacto físico, o reconhecimento como doença grave garante ao paciente direitos específicos, como isenções tributárias e prioridade em benefícios previdenciários, devido ao seu caráter limitante.

O impacto da inflamação sistêmica no corpo

Embora o foco principal seja a coluna, a espondilite anquilosante é uma doença sistêmica. Isso significa que ela pode afetar outros órgãos e tecidos além do esqueleto axial.

Pacientes podem apresentar inflamações nos olhos, conhecidas como uveítes, que causam dor e vermelhidão. Se não tratadas, essas crises podem comprometer a visão de forma permanente.

Também há riscos associados ao sistema cardiovascular e pulmonar. A rigidez da caixa torácica pode dificultar a respiração profunda, reduzindo a capacidade respiratória do indivíduo ao longo dos anos.

Principais sintomas e sinais de alerta da doença

O sintoma mais marcante é a dor lombar persistente. No entanto, ela possui características específicas que a diferenciam de uma lombalgia causada por esforço físico ou má postura.

Na espondilite, a dor costuma aparecer durante o repouso e melhora com o movimento. É comum que o paciente acorde no meio da noite com desconforto e sinta muita rigidez ao levantar.

  • Rigidez matinal que dura mais de 30 minutos.
  • Dor nas nádegas que alterna de lado periodicamente.
  • Fadiga extrema sem causa aparente.
  • Dor no calcanhar ou em outras áreas de inserção de tendões.
  • Melhora dos sintomas após a prática de exercícios físicos.

Se esses sintomas persistem por mais de três meses em pessoas jovens, geralmente antes dos 45 anos, a investigação reumatológica torna-se indispensável para evitar sequelas.

Diagnóstico precoce e a importância da genética

O diagnóstico da espondilite anquilosante costuma ser um desafio. No início, as alterações ósseas podem não aparecer em exames de raio-x simples, o que retarda o início da terapia.

Atualmente, a ressonância magnética é a ferramenta de escolha para detectar a inflamação precocemente. Ela mostra o edema ósseo nas articulações sacroilíacas antes mesmo da fusão ocorrer.

O papel do marcador genético HLA-B27

Existe um componente genético muito forte nesta patologia. O teste para o antígeno HLA-B27 é frequentemente solicitado durante a investigação diagnóstica para confirmar a predisposição.

Ter o gene não significa que a pessoa desenvolverá a doença, mas a grande maioria dos pacientes diagnosticados possui esse marcador positivo, auxiliando no fechamento do quadro clínico.

Combinar o histórico de dor do paciente, os exames de imagem e os testes laboratoriais é o caminho mais seguro para um diagnóstico preciso e assertivo.

Estratégias de tratamento e controle da dor

Por ser uma doença crônica, o objetivo do tratamento não é a cura, mas a remissão dos sintomas. O foco está em manter a mobilidade e evitar que a coluna sofra o processo de fusão.

O tratamento moderno revolucionou a vida dos pacientes. Hoje, existem opções que permitem que a pessoa trabalhe, pratique esportes e mantenha uma vida social perfeitamente normal.

  1. Uso de anti-inflamatórios não esteroides para controle da dor imediata.
  2. Medicamentos biológicos que bloqueiam proteínas específicas da inflamação.
  3. Prática regular de fisioterapia e exercícios de baixo impacto.
  4. Acompanhamento nutricional para reduzir processos inflamatórios.
  5. Cessação do tabagismo, que é um agravante severo da doença.

Os imunobiológicos são os grandes protagonistas atuais. Eles agem diretamente na origem da resposta autoimune, impedindo que a inflamação cause danos estruturais aos ossos e articulações.

Exercícios físicos como parte da terapia

Muitos pacientes sentem medo de se exercitar devido à dor, mas o repouso prolongado é, na verdade, um inimigo na espondilite anquilosante. O movimento é o que mantém as juntas lubrificadas.

Atividades que priorizam o alongamento e a postura são as mais recomendadas. A natação, por exemplo, trabalha todos os grupos musculares sem causar impacto excessivo nas articulações.

O pilates e o yoga também são excelentes aliados. Eles fortalecem o “core” e ajudam a manter a coluna ereta, combatendo a tendência de inclinação para frente que a doença provoca.

Manter a musculatura forte protege as articulações inflamadas. O acompanhamento de um profissional de educação física ou fisioterapeuta é essencial para adaptar os movimentos aos limites individuais.

O papel da alimentação na saúde articular

Embora a dieta não substitua os medicamentos, ela pode atuar como um suporte poderoso. Alimentos com propriedades anti-inflamatórias ajudam a reduzir o nível de dor sistêmica.

O consumo de ômega-3, encontrado em peixes e sementes, é altamente recomendado. Frutas cítricas e vegetais verdes escuros também fornecem antioxidantes necessários para combater o estresse oxidativo.

Por outro lado, o consumo excessivo de açúcares e alimentos ultraprocessados pode alimentar a inflamação. Manter o peso sob controle também é vital para não sobrecarregar as articulações da bacia e coluna.

Pequenas mudanças nos hábitos alimentares, somadas ao tratamento médico, criam um ambiente interno favorável para que o corpo responda melhor às terapias convencionais.

Passos para o bem-estar

A espondilite anquilosante é uma condição desafiadora, mas não define o destino de quem a possui. O entendimento de que se trata de uma doença grave permite uma abordagem médica mais agressiva e eficaz.

Com as ferramentas disponíveis atualmente, a maioria dos pacientes consegue estacionar a progressão do dano ósseo. A chave para o sucesso é o diagnóstico precoce e a adesão contínua ao tratamento.

Se você ou alguém que você conhece sofre com dores nas costas que não melhoram com o descanso, não ignore os sinais. Procure um reumatologista para uma investigação detalhada.

Sabrina Nazaretyan

Sou escritora, redatora de sites e roteirista. Adoro escrever e viajar pelo mundo. Sou fluente em Inglês e espanhol e atualmente resido na Austrália onde trabalho como professora de línguas.

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