Cinema

Advogado diz que processo é golpe de marketing

Pouco mais de uma semana depois de entrar com um processo contra a The Walt Disney Company, a equipe de Scarlett Johansson segue trocando farpas públicas com a companhia. “Tudo o que a Disney tem dito a respeito da nossa cliente é misógino e representa um ataque pessoal a Johansson. Eles estão desesperados para ganhar o apoio do público. Mas os advogados da Disney não conseguirão apagar as declarações que fizeram sobre ela, os termos do contrato ou mesmo a história que levou a essa ação”, afirmou John Berlinski, advogado da atriz.

Em entrevista à Variety, por sua vez, um dos advogados da empresa afirmou que o pleito de Johansson é descabido e vai muito além do que foi firmado em contrato. Ainda disse que a ação foi um movimento orquestrado dos seus agentes para obrigar a Disney a escrever um cheque com altas cifras. “É óbvio que isso foi uma campanha de marketing para que ela [Johansson] pudesse conseguir um resultado que apenas com o processo não seria possível. Entretanto, nenhuma pressão do público será capaz de mudar ou obscurecer o compromisso firmado em contrato. O contrato é claro como a água”, afirmou Daniel Petrocelli.

Para o advogado, a atriz e sua equipe encontraram uma forma de chamar atenção do público e, assim, tentar pressionar a companhia, mas, segundo ele, a própria ação possui inconsistências. Uma delas, por exemplo, é a exigência do contrato de que as partes recorram à arbitragem para quaisquer disputas e não ao tribunal aberto, que é público. Além disso, ela foi contratada pela Marvel Studios, mas está processando a Disney, sob o argumento de que “as prioridades corporativas da Disney para apoiar suas novas plataformas de streaming foram impostas à Marvel”. Petrocelli também revelou que o contrato de Johansson previa que “Viúva Negra” fosse lançado em, no mínimo, 1.500 salas de cinema, mas o filme estreou em 9.000 apenas nos Estados Unidos e 30.000 em todo o mundo e, por isso, vai muito além do acordado.

Foto: Marca

No centro dessa disputa estão os valores recebidos por Johansson, que ficou insatisfeita com seus US$ 20 milhões e queria mais. A equipe da atriz alega que o lançamento do filme no Disney+ teve um efeito negativo nos bônus que ela receberia quando a produção atingisse determinados patamares de bilheteria. Petrocelli, por sua vez, discorda e indica que a estreia híbrida ajudou a estrela de Hollywood. “Nós tratamos o Premier Access como bilheteria de cinema para os efeitos de bônus do contrato. Isso aumentou os recebimentos da Sra. Johansson”, disse.

A equipe de Johansson não concorda e acusa a Disney de ter sido negligente e de não ter se esforçado para resolver o impasse nos meses que antecederam o lançamento. Já a companhia de Mickey Mouse afirma não ter sido informada sobre a ação antes de ela se tornar pública. “Se a Disney realmente acreditasse naquilo que os seus advogados afirmam agora, ela aceitaria que a disputa fosse decidida em tribunal aberto, em vez de tentar esconder sua má conduta em uma arbitragem confidencial”, disse Berlinski.

Para Petrocelli, entretanto, os efeitos da pandemia não foram levados em consideração pela equipe da atriz. “Nós tivemos uma crise inesperada causada pela COVID-19, e o estúdio estava tentando acomodar a demanda de milhões de fãs que ainda se sentiam nervosos em retornar aos cinemas”, disse. Ele ainda enfatizou que as decisões de distribuição cabem ao estúdio e que uma nova estratégia era necessária devido aos impactos da crise sobre o cinema tradicional. “Todos os estúdios tiveram de se ajustar, e outras mudanças estão a caminho”, concluiu ele, encerrando apenas mais um capítulo de uma batalha que deverá durar anos e desgastar a imagem de todos os envolvidos.

Sobre o autor

Patriolino Ribeiro Neto

Patriolino Ribeiro Neto

Patriolino Ribeiro Neto é formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Fortaleza. É também graduado em Jornalismo, área em que atua há mais de dez anos. Em 2008, a estreia na televisão ocorreu quando passou a comandar um telejornal esportivo. Viajar sempre foi uma paixão, tornando-se parte do seu trabalho em 2009. A curiosidade pela Disney o inspira desde pequeno. Muito cedo, começou a frequentar os complexos de parques temáticos da empresa ao redor do mundo e, até hoje, os tem como destinos preferidos. Dentre os seis resorts, Walt Disney World e Disneyland são seus prediletos.