Disneyland Paris Resort

Criar fantasias exige mais que apenas uma varinha de condão

Mesmo quem assiste a “Cinderela” hoje, ainda se impressiona com a tamanha facilidade com que a Fada Madrinha cria um majestoso vestido para a pobre Gata Borralheira com apenas alguns movimentos de mão. Mas a arte nem sempre imita a vida. No mundo real, criar magia é uma tarefa mais difícil do que parece e exige muito mais que somente um varinha de condão e algumas palavras. Em cada complexo da Disney, milhares de cast members trabalham, diariamente, em diferentes departamentos com um objetivo: fazer de cada parque temático um mundo encantado, um lugar que parece ter saído de algum filme ou livro.

Dentre os vários setores que trabalham incansavelmente nesse objetivo está o The Costume Department, que existe em cada um dos resorts e é responsável pelo design e confecção de uma variedade enorme de roupas que são usadas por aqueles que trabalham nas mais variadas atrações, incluindo brinquedos, shows e paradas, hotéis e restaurantes. Os trajes utilizados por Mickey e seus amigos também são de responsabilidade dessa equipe. Apenas ele possui mais de 200 tipos de roupas diferentes, as quais são usadas para espetáculos, desfiles, eventos especiais e comerciais de televisão, entre outros. Estima-se que Minnie tenha em torno de 150, que incluem, inclusive, vestidos de alta costura como os que foram desenhados, em 2013, por Alber Elbaz.

Em Disneyland Paris Resort, cerca de 100 profissionais trabalham desenvolvendo cada uma das fantasias de todo o complexo. A cada novo show ou parada, roupas diferentes precisam ser criadas, e elas incluem chapéus, sapatos e perucas. Apenas em 2019, cerca de 29 mil metros de tecido foram usados para vestir os cast members.

Para o evento “The Lion King: Rhytms of the Pride Lands”, por exemplo, 400 fantasias foram criadas em dois anos. No total, 2.541 metros de tecido foram utilizados, mais 112 pares de sapatos. Como se não bastasse, outras 2 mil peças foram desenvolvidas para o “The Jungle Book Jive”. Ambos shows foram ofertas temporárias, mas retornam ao calendário de atrações do resort este ano. Por isso, todas as roupas, sapatos e adereços foram guardados e serão reutilizados. Antes de voltarem aos palcos, porém, serão revisados para que estejam dentro do padrão de qualidade exigido. A cada ano, Disneyland Paris Resort utiliza em torno de 60 mil peças apenas em shows e paradas.

Desde a inauguração do complexo até os dias atuais, cerca de 692 pessoas já trabalharam no Departamento de Fantasias, que, hoje, veste cerca de 8 mil cast members em um processo que não é simples. Tudo começa com a criação e design das peças. Nessa etapa, estão envolvidos, designers, designers gráficos, especialistas em cosmetologia, assistentes e pessoas especializadas em fantasias. No Sewing Workshop, os conceitos ganham vida através das mais de, pelo menos, 50 costureiras. Outros profissionais como, por exemplo, um criador de perucas, também estão envolvidos.

Após as primeiras peças serem criadas, elas, então, entram em processo de fabricação, o qual não é industrial e, por isso, demanda muito mais tempo e atenção dos profissionais envolvidos. Em visita aos bastidores do ateliê da Disney, em Paris, a criadora de moda Chantal Thomass se disse impressionada com o trabalho criado no departamento e chegou a compara-lo com o que é feito com roupas de alta-costura.

Tão somente depois de ter passado pelas mãos de tantos profissionais e, finalmente, aprovadas é que as peças podem ser utilizadas pelos profissionais, sejam dançarinos de paradas, garçons em algum restaurante ou recepcionistas de um hotel, na frente dos visitantes, que ao verem as roupas devem saber que cada uma delas possui uma história. Uma história que conta não apenas como a peça foi pensada e elaborada, mas que fala sobre o funcionamento de um dos departamentos mais interessantes do mundo encantado.

Sobre o autor

Patriolino Ribeiro Neto

Patriolino Ribeiro Neto

Patriolino Ribeiro Neto é formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Fortaleza. É também graduado em Jornalismo, área em que atua há mais de dez anos. Em 2008, a estreia na televisão ocorreu quando passou a comandar um telejornal esportivo. Viajar sempre foi uma paixão, tornando-se parte do seu trabalho em 2009. A curiosidade pela Disney o inspira desde pequeno. Muito cedo, começou a frequentar os complexos de parques temáticos da empresa ao redor do mundo e, até hoje, os tem como destinos preferidos. Dentre os seis resorts, Walt Disney World e Disneyland são seus prediletos.

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