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Johansson vs. Chapek: quem vencerá?

O processo judicial movido por Scarlett Johansson contra a The Walt Disney Company continua sendo assunto e, agora, desperta dúvidas se, de alguma forma, a ação irá prejudicar a gestão de Bob Chapek. Desde a última semana, muitos insiders vêm afirmando que o CEO não tem a habilidade necessária para lidar com estrelas de Hollywood, e a má decisão em lançar “Viúva Negra” sob um formato híbrido é de sua responsabilidade. “Alguém está jogando como um amador”, disse um ex-executivo da companhia ao The Hollywood Reporter. “O Iger não é amador, e isso não teria acontecido se ele ainda fosse o maior nome da empresa”, acrescentou. “Para mim, é insano. Você acha que o Bob Iger teria permitido que um talento como a Johansson os tivesse processado?”, questionou um executivo de um estúdio concorrente. Ele ainda explicou à publicação que, em uma situação como essa, existem diversas formas de acertar pagamentos sem chegar a um desgaste desse porte.

Especialistas também acrescentam que nenhum dos líderes dos principais estúdios da Disney teria permitido que algo assim acontecesse se um poder maior não estivesse sobre eles. “Quem pensaria em Kathleen Kennedy [da Lucasfilm] ou mesmo Pete Docter [da Pixar] deixando que uma batalha fosse iniciada com um talento seu? O Kevin Feige deve estar mesmo muito insatisfeito. O processo abriu a porta para capítulos muito complicados daqui para a frente. Todos os artistas redobrarão os cuidados na hora de fechar um negócio com a companhia”, indicou um insider.

A postura de Chapek tem sido considerada indiferente a artistas dos seus estúdios. Entretanto, daqui para a frente, ele precisará ter mais cuidados porque já desagradou Kevin Feige, alguém de quem a Marvel Studios precisa para continuar nos trilhos. No passado, uma insatisfação de Feige levou o então CEO Bob Iger a fazer uma reestruturação no estúdio. “Eu imaginei que a relação de Feige [com Ike Perlmutter, que era contra filmes como Pantera Negra e Capitã Marvel] pudesse atrapalhar seu sucesso, e isso não era algo que a Disney podia sofrer naquele momento”, revelou Iger em seu livro publicado, há alguns anos. Enquanto acionistas têm elogiado Chapek por seu foco no streaming e pelo crescimento do Disney+, por exemplo, a batalha contra a atriz poderá manchar a reputação do executivo, algo pelo qual a Disney preza bastante.

Apesar das críticas que Chapek vem recebendo, um executivo da Disney, cujo nome não foi revelado, disse que “não é justo responsabilizá-lo sozinho pela decisão”. “Essa não foi uma decisão unilateral”, disse. Mesmo assim, ninguém discorda que atacar a atriz afirmando que ela era “insensível aos horrores da pandemia” foi, indiscutivelmente, um erro cometido por Chapek, sua equipe de comunicação e de advogados.

Como se isso não bastasse, a luta de Johansson tem sido considerada, por muitos, como algo maior do que se possa imaginar. “Não é comum uma estrela de Hollywood abrir fogo, de forma pública, contra uma empresa do porte da Disney. Essa é uma batalha muito complicada. Ela está liderando uma luta existencial, que é maior que ela. E ela está lutando por toda a sua classe”, disse o produtor de cinema Jason Blum. Para ele, as plataformas de streaming têm um plano silencioso de reduzir os salários dos artistas, e o processo de Johansson pode levar muitos executivos a repensar a prática.

Imagem: THR

Por enquanto, ainda é cedo para afirmar quem sairá vencedor dessa batalha, mas uma coisa é certa: Chapek nunca foi muito bem visto perante o público, e sua fama, certamente, só está piorando. Desde que assumiu a companhia no início de 2020, ele já se envolveu em outras polêmicas como a demissão de mais de 28 mil funcionários dos complexos americanos. Apesar de, na época, não ter sido o responsável pelo anúncio, algo que ficou com Josh D’Amaro, Presidente da Disney Parks, Experiences and Products, o executivo foi bastante criticado porque se manteve recebendo salários astronômicos enquanto Bob Iger abriu mão de seus bônus.

O pequeno número de novidades anunciadas para os parques e as atrações reveladas para a “The World’s Most Magical Celebration”, que será menor que o imaginado, também têm levado os fãs da Disney a se voltar contra o executivo. A opinião deles não pesa, diretamente, na escolha ou manutenção de um CEO, mas, com certeza, a companhia não quer ficar mal vista perante o público e poderá ter que agir rapidamente caso a reputação de Chapek não comece a melhorar.

Sobre o autor

Patriolino Ribeiro Neto

Patriolino Ribeiro Neto

Patriolino Ribeiro Neto é formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Fortaleza. É também graduado em Jornalismo, área em que atua há mais de dez anos. Em 2008, a estreia na televisão ocorreu quando passou a comandar um telejornal esportivo. Viajar sempre foi uma paixão, tornando-se parte do seu trabalho em 2009. A curiosidade pela Disney o inspira desde pequeno. Muito cedo, começou a frequentar os complexos de parques temáticos da empresa ao redor do mundo e, até hoje, os tem como destinos preferidos. Dentre os seis resorts, Walt Disney World e Disneyland são seus prediletos.