Cinema

“Mulan” fracassa na China

Na tentativa de emplacar um blockbuster e recuperar os US$ 200 milhões investidos, a Disney lançou a nova versão de “Mulan”, na China, na última sexta-feira (11). Antes mesmo do início da pandemia, o país representava uma grande esperança de bons rendimentos para a empresa. Em entrevista ao The Hollywood Reporter, no ano passado, o Chairman da Walt Disney Studios, Alan Horn, chegou a declarar que “se o filme não funcionar na China, nós, então, teremos um problema”. Poucos dias depois do lançamento oficial da produção na terra que deu origem à lenda, os receios de Horn se confirmaram.

A maioria dos chineses que viu o filme reclamou da falta de coerência da história com a lenda original. “O filme é um desperdício do inocente nome de Mulan. É de partir o coração”, afirmou Qiu Tian, professora de Psicologia da Universidade de Beijing, em entrevista ao The New York Times. “A diretora não compreendeu Mulan e, de forma teimosa, transformou sua personagem em um papel feminista e heróico”, completou.

Outro fato que gerou desagrado entre os chineses foi a escolha do idioma falado. Apesar de todo o elenco escalado ser de origem chinesa, eles falam Inglês, o que, para muitos, é uma incoerência com os fatos históricos.

Foto: The NY Times

A insatisfação do público refletiu nos resultados das bilheterias. Durante o fim de semana, o filme arrecadou apenas US$ 23 milhões, menos que “Tenet”, por exemplo, que chegou a quase US$ 30 mi nos primeiros dias. Já “The Eight Hundred”, um épico chinês lançado no dia 21 de agosto, alcançou US$ 75 milhões no fim de semana de lançamento. Somando a renda de todos os países onde “Mulan” estreou, o número chega a US$ 37 milhões, segundo o Box Office Mojo. Por enquanto, não é possível saber a arrecadação do filme no Disney+. No popular Douban, onde reviews são encontradas, a produção de Niki Caro recebeu apenas 4.9 de avaliação, cujo máximo é 10.

Para evitar problemas com a audiência chinesa, a Disney chegou a contratar consultores e historiadores do país para ajudar na criação do live-action. Mesmo assim, o resultado final não agradou. Especialistas afirmam que as incoerências históricas ainda se somaram a outros problemas que levaram ao baixo resultado na arrecadação. Entre eles, a pirataria, a retomada do ano letivo e algumas polêmicas que envolveram a produção. Logo depois de ser disponibilizado no Disney+, no dia 4 de setembro, o filme começou a circular em sites piratas, tomando uma fatia do público que deveria ir ao cinema ou mesmo pagar a taxa extra para assisti-lo pelo “Premier Acess”. Além disso, a participação da protagonista Liu Yifei nos protestos de Hong Kong, em 2019, e a gravação de algumas cenas em Xinjiang, onde uma minoria vive sob severa repressão, levaram à criação de uma campanha de boicote ao filme na internet.

Apesar das reclamações e problemas, ainda há quem defenda o filme, na China. “Não é justo que as pessoas vejam o filme como um documentário. Muita gente acha que o filme representa uma visão estereotipada da nossa cultura, mas eles esquecem que ele foi feito para ser um filme de princesa com um pouco de comédia e magia”, afirmou Zhao Wen, crítica de cinema.

Para as próximas semanas, não se sabe se a Disney tentará alguma estratégia para alavancar o filme ou se terá, simplesmente, que aceitar mais esse fracasso de 2020.

Foto: The NY Times

Sobre o autor

Patriolino Ribeiro Neto

Patriolino Ribeiro Neto

Patriolino Ribeiro Neto é formado em Publicidade e Propaganda pela Universidade de Fortaleza. É também graduado em Jornalismo, área em que atua há mais de dez anos. Em 2008, a estreia na televisão ocorreu quando passou a comandar um telejornal esportivo. Viajar sempre foi uma paixão, tornando-se parte do seu trabalho em 2009. A curiosidade pela Disney o inspira desde pequeno. Muito cedo, começou a frequentar os complexos de parques temáticos da empresa ao redor do mundo e, até hoje, os tem como destinos preferidos. Dentre os seis resorts, Walt Disney World e Disneyland são seus prediletos.

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